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Conclusões das IV Jornadas Técnicas AB

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A NATURALFA organizou a 12 de novembro, as IV Jornadas de Agricultura Biológica, que decorreram na Lipor, em Baguim do Monte.

Este evento teve como objetivo principal dinamizar o sector da Agricultura Biológica e proporcionar a todos os players envolvidos, um dia de partilha de conhecimentos e experiências, assim como a troca de contactos e de novas visões sobre os produtos biológicos.

As jornadas contaram com a participação de mais de 100 profissionais ligadas ao setor, com diversos oradores e moderadores especialistas em assuntos relacionados com a Agricultura Biológica e ainda com a presença e intervenção na Sessão de Encerramento do Diretor Regional Adjunto da Agricultura e Pescas do Norte, Eng.º Rui Martins.

Os temas abordados foram diversificados, tais como, produção biológica para a restauração, alimentação infantil e cosmética biológica. Houve ainda um momento de partilha de experiências em que dois jovens contaram quais os desafios que encontraram ao começarem a produzir segundo este modo de produção. No momento mais institucional falou-se das Bio-regiões e da Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica. O novo regulamento da Agricultura Biológica e o esclarecimento sobre como certificar produtos biológicos processados, foram de especial relevância, pois permitiram ajudar a esclarecer dúvidas de alguns dos presentes.

As principais conclusões das Jornadas foram apresentadas pela Liliana Perestrelo, gerente da NATURALFA e que se resumem aos seguintes pontos:

- A Agricultura Biológica é sem dúvida um grande desafio, quer no que respeita a conhecimentos científicos, quer de reinvenção pessoal para quem envereda por este caminho.

- A Agricultura Biológica pode ter muitos nichos de mercado e em cada um deles, por norma, o consumidor prefere os produtos biológicos aos produtos convencionais.

- Os produtores biológicos têm de ser multifacetados e têm de estar “à frente” dos produtores convencionais para conseguirem acrescentar ainda mais valor aos seus produtos. Desta forma estarão seguramente vendidos, mesmo antes da produção.

- As novas gerações e as famílias com filhos pequenos são os novos consumidores de produtos biológicos, porque são pessoas mais informadas e mais preocupadas com os impactos do que ingerimos e aplicamos no nosso corpo.

- As atenções estão voltadas para a Agricultura Biológica e as políticas estratégicas incorporam de uma forma geral os princípios da Agricultura Biológica, por isso, produzir em Agricultura Biológica, para além de ser uma via sustentável para o meio ambiente, será também uma via sustentável economicamente, não só porque o sector de produtos biológicos está a crescer, mas também porque os apoios comunitários serão cada vez maiores neste setor.

- O setor da Agricultura Biológica está cada vez mais dinâmico e a criação de Comunidades ou Bio-Regiões são estratégicas para, de uma forma integrada e conjunta, promover os conceitos e os princípios da Agricultura Biológica em todas as suas vertentes.

- Com o aumento da procura de produtos biológicos por parte dos consumidores, é fundamental aumentar a garantia da confiança dos consumidores e tornar as regras de comercialização de produtos biológicos mais claras, mas também mais facilitadoras, sem descurar o rigor e a credibilidade. É expectável que tal aconteça com a aplicação do novo Regulamento da Agricultura Biológica (Regulamento N.º 848/2018).

- A Agricultura Biológica pode ser seriamente ameaçada se não for implementada de uma forma integrada, tendo em consideração todas as variáveis, incluindo os fatores de produção utilizados.

- Os cosméticos ditos biológicos ou naturais, por não requererem certificação obrigatória podem ser enganadores e induzir o Consumidor em erro, motivo pelo qual é fundamental que os mesmos sejam certificados por um Organismo de Certificação externo e independente.

- O tema dos plásticos, por ser o principal material utilizado no embalamento de produtos biológicos, é um assunto problemático também para a Agricultura Biológica, no entanto, a informação científica e disponível ainda não é suficiente para percebermos os impactos reais da utilização dos plásticos ou as alternativas seguras que possam vir a ser soluções para o futuro.