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Segurança alimentar que abre mercados
Home NATURALFA Segurança alimentar que abre mercados

Segurança alimentar que abre mercados

20/08/2026Por Andreia Testa0 Comments
A sua empresa necessita da certificação BRCGS Food Safety?

Na indústria alimentar, produzir um alimento seguro já não é suficiente. É também necessário demonstrar, de forma consistente e verificável, que os perigos estão controlados, que os processos são cumpridos e que a organização consegue responder às exigências dos clientes e dos mercados.

É neste contexto que a certificação BRCGS Food Safety assume particular relevância.

Reconhecido internacionalmente e aceite por marcas, distribuidores e retalhistas, o referencial estabelece requisitos para a segurança, legalidade, autenticidade e qualidade dos produtos alimentares.

Mas será esta a certificação adequada para todas as empresas? E em que situações pode tornar-se uma exigência comercial?

O que é a certificação BRCGS Food Safety?

O BRCGS Food Safety é um referencial destinado à avaliação e certificação de organizações que fabricam, processam ou preparam produtos alimentares.

O seu objetivo é estabelecer os critérios de segurança, qualidade e controlo operacional que uma organização deve implementar para cumprir as suas obrigações legais, proteger o consumidor e responder aos requisitos dos clientes. A avaliação é realizada pela NATURALFA, através de uma auditoria às instalações, aos processos e ao sistema implementado.

Mais do que verificar a existência de procedimentos, a auditoria procura confirmar se esses procedimentos estão efetivamente integrados na atividade diária da empresa.

Isto significa que não basta ter documentação preparada. A organização deve conseguir demonstrar, através de registos, evidências e práticas consistentes, que controla os riscos associados aos seus produtos e processos e que tem uma cultura de segurança alimentar implementada de forma consistente e abrangente a todo o pessoal envolvido.

A certificação BRCGS Food é obrigatória?

A certificação BRCGS Food não é, de forma geral, uma obrigação legal.

Contudo, pode tornar-se uma exigência comercial quando é solicitada por:

  • retalhistas;
  • grandes marcas alimentares;
  • distribuidores;
  • importadores;
  • clientes internacionais;
  • organizações que produzem para marcas de terceiros;
  • cadeias de fornecimento que exigem certificações reconhecidas pela GFSI.

A BRCGS Food Safety Issue 9 é reconhecida pela Global Food Safety Initiative — GFSI, o que reforça a sua aceitação nas cadeias de abastecimento internacionais. A GFSI não emite certificados, mas reconhece programas de certificação que cumprem os seus requisitos de benchmarking.

Assim, mesmo quando não existe uma obrigação legal, a ausência da certificação pode limitar o acesso a determinados clientes, concursos ou mercados.

Em que situações a sua empresa pode necessitar da BRCGS Food?

A certificação pode fazer sentido quando a organização pretende:

Fornecer a grande distribuição

Muitos retalhistas e marcas utilizam referenciais reconhecidos internacionalmente como critério de qualificação e aprovação dos seus fornecedores.

Quando um potencial cliente solicita a BRCGS Food, a certificação pode deixar de ser apenas um fator de diferenciação e passar a ser uma condição para iniciar ou manter a relação comercial.

Produzir para marcas de terceiros

As empresas que fabricam produtos de marca própria ou para marcas de distribuição estão frequentemente sujeitas a requisitos adicionais.

Nestes casos, os clientes procuram garantias de que o fabricante controla não apenas a segurança alimentar, mas também a legalidade, autenticidade, qualidade e conformidade do produto.

Entrar em mercados internacionais

A certificação pode facilitar o reconhecimento do sistema de segurança alimentar da organização por clientes localizados noutros países.

A aceitação da BRCGS por marcas e retalhistas internacionais permite que o certificado funcione como uma evidência independente dos controlos implementados pela empresa.

Uniformizar processos em diferentes instalações

Para grupos empresariais ou organizações com várias unidades produtivas, a implementação do referencial pode contribuir para estabelecer critérios comuns de controlo, documentação, avaliação e melhoria.

Reforçar a confiança dos clientes

A certificação por uma entidade independente permite demonstrar que o sistema implementado foi avaliado segundo requisitos definidos e reconhecidos internacionalmente.

No entanto, obter o certificado não substitui a responsabilidade diária da organização. A eficácia do sistema depende da forma como os requisitos são aplicados, acompanhados e melhorados ao longo do tempo.

Quais são os principais requisitos da BRCGS Food?

A BRCGS Food Safety Issue 9 mantém um forte enfoque no compromisso da gestão, no sistema HACCP, no sistema de gestão da qualidade e segurança alimentar e na aplicação das boas práticas de fabrico.

Entre as principais áreas avaliadas encontram-se:

Compromisso da gestão de topo

A direção deve demonstrar um envolvimento efetivo na definição, implementação e melhoria do sistema de segurança alimentar.

Este compromisso traduz-se, por exemplo, na disponibilização de recursos, definição de responsabilidades, acompanhamento de objetivos e análise do desempenho do sistema.

A segurança alimentar não pode ser tratada exclusivamente como uma responsabilidade do Departamento da Qualidade. Deve fazer parte das prioridades da organização.

Plano de segurança alimentar baseado no HACCP

A empresa deve possuir um plano baseado nos princípios do HACCP que permita:

  • identificar os perigos associados aos produtos e processos;

  • avaliar a sua probabilidade e gravidade;

  • estabelecer medidas de controlo;

  • definir limites e procedimentos de monitorização;

  • atuar perante desvios;

  • verificar a eficácia dos controlos implementados.

O plano deve refletir a realidade da unidade e ser revisto sempre que ocorram alterações relevantes.

Sistema de gestão da qualidade e segurança alimentar

A organização deve possuir uma estrutura documental capaz de assegurar a consistência dos processos.

Esta estrutura inclui políticas, procedimentos, responsabilidades, registos, auditorias internas, gestão de não conformidades, ações corretivas e mecanismos de melhoria contínua.

Requisitos das instalações

A auditoria avalia as condições das instalações e a sua adequação à produção de alimentos seguros.

Podem ser considerados aspetos como:

  • localização e envolvente;

  • fluxo de pessoas, matérias-primas e produtos;

  • estado dos edifícios;

  • equipamentos;

  • abastecimento de água;

  • ventilação;

  • iluminação;

  • controlo de pragas;

  • limpeza e higienização;

  • gestão de resíduos.

Controlo do produto

A empresa deve demonstrar que controla as especificações, características e condições dos produtos fabricados.

Nesta área incluem-se matérias como:

  • alergénios;

  • rotulagem;

  • autenticidade;

  • análises laboratoriais;

  • libertação do produto;

  • embalagem;

  • desenvolvimento de novos produtos.

Controlo do processo

Os processos produtivos devem ser planeados, monitorizados e realizados em condições controladas.

A empresa deve assegurar que os parâmetros relevantes são definidos, cumpridos e registados e que quaisquer desvios são identificados e tratados.

Gestão de fornecedores e matérias-primas

Os fornecedores devem ser avaliados segundo critérios definidos e proporcionais ao risco associado às matérias-primas, embalagens e serviços fornecidos.

Não basta selecionar um fornecedor com base no preço ou na disponibilidade. A empresa deve compreender os riscos associados ao fornecimento e manter evidências da respetiva avaliação.

Rastreabilidade

A organização deve conseguir identificar a origem das matérias-primas e acompanhar o percurso dos produtos ao longo do processo.

Um sistema de rastreabilidade eficaz permite relacionar matérias-primas, lotes, processos, embalagens e clientes, facilitando uma atuação rápida perante uma ocorrência.

Gestão de incidentes, retirada e recolha

A empresa deve estar preparada para responder a incidentes que possam afetar a segurança, legalidade ou qualidade dos produtos.

Isso implica possuir procedimentos definidos, responsabilidades atribuídas, contactos atualizados e exercícios que permitam testar a capacidade de resposta.

Food Fraud e Food Defense

O referencial exige que sejam avaliados os riscos associados à fraude alimentar e a potenciais ações deliberadas contra os produtos ou processos.

Embora ambos os conceitos estejam relacionados com a proteção do produto, respondem a ameaças diferentes:

  • Food Fraud relaciona-se com adulterações ou substituições motivadas, geralmente, por benefício económico;

  • Food Defense relaciona-se com atos intencionais destinados a causar dano.

Cultura de segurança alimentar

A organização deve promover comportamentos, valores e práticas que sustentem a segurança dos alimentos.

A cultura não se demonstra apenas através de uma política afixada. Deve refletir-se na liderança, na comunicação, na formação, na participação dos colaboradores e na forma como a empresa reage perante problemas.

A cultura de segurança alimentar e o desenvolvimento das competências foram identificados pela BRCGS como temas centrais da última versão da norma.

Quais são os benefícios da certificação BRCGS Food?

A certificação pode gerar diferentes benefícios, dependendo da atividade, da estrutura e da estratégia comercial da empresa.

Acesso a novos clientes e mercados

A certificação pode permitir que a organização responda aos critérios de qualificação de clientes que exigem um referencial reconhecido pela GFSI.

Para algumas empresas, este é o principal motivo para avançar com o processo.

Reforço da confiança na cadeia de abastecimento

A auditoria independente permite apresentar aos clientes uma evidência objetiva de que os processos foram avaliados de acordo com requisitos reconhecidos.

Maior controlo dos riscos

A implementação do referencial obriga a organização a analisar os seus produtos, matérias-primas, instalações, fornecedores e processos de forma estruturada.

Esta abordagem pode facilitar a identificação antecipada de fragilidades e reduzir a probabilidade de falhas.

Processos mais consistentes

A definição de responsabilidades, métodos de trabalho, critérios de controlo e registos contribui para diminuir a variabilidade e reforçar a consistência da operação.

Melhoria da rastreabilidade e capacidade de resposta

Perante uma reclamação, alerta ou potencial incidente, uma organização com processos claramente estabelecidos encontra-se mais preparada para identificar os lotes envolvidos, avaliar o risco e tomar decisões.

Promoção da melhoria contínua

As auditorias internas, a análise das causas das não conformidades, a revisão dos objetivos e o acompanhamento do desempenho ajudam a organização a evoluir para além da obtenção inicial do certificado.

A certificação elimina as auditorias dos clientes?

Não necessariamente.

A aceitação do certificado depende dos critérios definidos por cada cliente. Algumas organizações podem reduzir o número ou a profundidade das auditorias próprias quando o fornecedor possui uma certificação reconhecida, enquanto outras mantêm os seus processos de avaliação.

Por esse motivo, a empresa deve confirmar sempre os requisitos específicos de cada cliente antes de iniciar o processo de certificação.

Como funciona o processo de certificação BRCGS Food?

Embora cada processo dependa do âmbito e da realidade da organização, a certificação envolve geralmente as seguintes etapas:

1. Definição do âmbito da certificação

Identificação dos produtos, processos e instalações que serão abrangidos.

2. Implementação dos requisitos

A empresa desenvolve e aplica o sistema necessário para cumprir os requisitos do referencial.

3. Seleção da NATURALFA como organismo de certificação

A NATURALFA encontra-se habilitada para certificar as seguintes categorias:

Categoria 5 – Frutas, legumes e frutos secos;

Categoria 6 – Transformação de Frutas, legumes e frutos secos.

Categoria 8 – Carne/Peixe cozidos;

Categoria 9 – Carne e peixe crus, curados e/ou fermentados;

Categoria 10 – Refeições prontas, sanduíches, sobremesas prontas.

Categoria 11 – Alto/Baixo teor de ácido em latas/vidros/embalagens plásticas (em processo de acreditação)

Categoria 13 – Bebidas alcoólicas e produtos fermentados

4. Realização da auditoria

A Equipa Auditora avalia as instalações, os processos, a documentação, os registos e as práticas da organização.

5. Tratamento das não conformidades

Quando são identificados incumprimentos, a empresa deve apresentar as respetivas correções e ações corretivas dentro dos prazos aplicáveis.

6. Revisão técnica e decisão de certificação

As evidências da auditoria e o tratamento das não conformidades são analisados antes da decisão.

7. Submissão do relatório de auditoria no Diretório BRCGS

Após a tomada de decisão, o relatório deverá ser submetido na plataforma no prazo máximo de 49 dias após a realização da auditoria. A partir desse momento, ficarão disponíveis para consulta a classificação final, a validade do certificado, e outras informações relevantes.

8. Emissão do certificado

O certificado é emitido quando se encontram reunidas as condições definidas pelo protocolo aplicável. A duração do certificado é anual e possui uma classificação atribuída em função dos resultados obtidos no dia da auditoria.

O certificado BRCGS Food possui classificação?

Sim, o certificado possui classificação com base no número e gravidade das não conformidades levantadas em auditoria. A classificação pode variar entre AA, A, B, C e D. No caso de auditorias não anunciadas, é acrescentado um “+” à classificação, passando a AA+, A+, B+, C+ ou D+.

Como saber se a BRCGS Food é adequada à sua empresa?

Antes de avançar, a organização deve responder a algumas questões:

  • Algum cliente atual exige esta certificação?

  • Existem potenciais clientes que apenas trabalham com fornecedores certificados?

  • A empresa pretende fornecer a grande distribuição?

  • A organização produz para marcas de terceiros?

  • A certificação é valorizada nos mercados de destino?

  • O âmbito da atividade é abrangido pelo referencial?

  • A empresa possui recursos para implementar, manter e melhorar o sistema?

  • A direção está preparada para assumir um compromisso ativo com a segurança alimentar?

Se a resposta for positiva a várias destas perguntas, poderá existir uma razão comercial e operacional para considerar a certificação.

A decisão não deve, contudo, encarar-se apenas como um elemento de reconhecimento externo. Deve resultar de uma análise dos requisitos dos clientes, da estratégia comercial e da capacidade da organização para manter o sistema de forma consistente.

Perguntas frequentes sobre a BRCGS Food

 
A certificação BRCGS Food destina-se apenas a grandes empresas?

Não. O referencial pode ser aplicado a organizações de diferentes dimensões, desde que a sua atividade esteja abrangida pelo respetivo âmbito.

A complexidade do sistema deve ser adequada aos produtos, processos, riscos e estrutura da organização.

Ter um sistema HACCP é suficiente para obter a certificação?

Não. A Certificação BRCGS é muito mais.

O HACCP é uma componente essencial, mas a BRCGS Food inclui requisitos adicionais relacionados com a gestão, as instalações, os fornecedores, a rastreabilidade, a autenticidade, o controlo do produto, o controlo do processo e a cultura de segurança alimentar.

A empresa pode ser certificada sem possuir um sistema implementado?

Não. A certificação não pode existir apenas no “papel”.

A auditoria avalia a aplicação prática dos requisitos. A organização deve possuir procedimentos, controlos, registos e evidências suficientes para demonstrar que o sistema se encontra efetivamente implementado.

A certificação é válida para todos os produtos da empresa?

O certificado aplica-se ao âmbito definido e avaliado durante a auditoria, podendo ser estabelecidas exclusões, quando devidamente justificadas.

Por isso, é essencial definir corretamente os produtos, processos e instalações abrangidos pelo processo.

A BRCGS Food garante que nunca ocorrerá um problema?

Não.

Nenhum sistema elimina totalmente o risco. A certificação demonstra que a organização implementou controlos e foi avaliada segundo os requisitos do referencial numa determinada data.

A manutenção da segurança alimentar depende do funcionamento contínuo e eficaz do sistema.

Mais do que um certificado, uma exigência de mercado

A decisão de obter a certificação BRCGS Food deve estar alinhada com a realidade da organização.

Para algumas empresas, representa uma oportunidade de melhorar processos e reforçar a confiança. Para outras, constitui um requisito indispensável para fornecer determinados clientes ou entrar em novos mercados.

Em ambos os casos, o valor da certificação não se encontra apenas no documento emitido. Encontra-se na capacidade da organização para demonstrar, diariamente, que controla os seus riscos, cumpre os requisitos aplicáveis e produz alimentos seguros, legais, autênticos e com a qualidade acordada.

A sua empresa está a considerar a certificação BRCGS Food?

A NATURALFA, enquanto organismo de certificação, pode esclarecer as etapas, o âmbito e as condições aplicáveis ao processo de certificação BRCGS Food.

Contacte a equipa da NATURALFA e obtenha mais informações sobre este tema.

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Andreia Testa - Naturalfa

Andreia Testa

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