
O que é que os consumidores percepcionam da certificação?
Vivemos na era da informação.
Mas será que vivemos na era da escolha informada?
Quando um produto diz “natural”, o que é que isso significa, exatamente?
Mais seguro? Mais saudável? Ou apenas melhor comunicado?
O maior risco alimentar hoje não é visível a olho nu. Está na falta de controlo, na ausência de rastreabilidade, na produção sem critérios auditáveis.
Quando entra num supermercado, confia? Confia no preço, na marca, na embalagem… ou num sistema que garante segurança?
Já pensou no percurso de um simples pacote de espinafres?
Quem o produziu. Que água foi usada. Que fertilização foi aplicada. Que análises foram feitas. Que registos existem. Que auditor passou por aquela exploração.
Isto é rastreabilidade. É poder identificar a origem, o processo, os pontos críticos e as decisões tomadas ao longo do caminho.
Se um produto custasse mais 30 cêntimos, mas tivesse certificação, escolheria o mais barato… ou o mais controlado?
E se pudesse ouvir um produtor dizer: “Cuido do meu solo há 10 anos. Monitorizo a água. Registo cada aplicação. Invisto em formação. Aceito e submeto-me a auditorias.”
Mudava a sua perceção?
A certificação hoje não existe para agradar ao produtor.
Existe para proteger o consumidor.
Não é marketing. É método. É controlo. É responsabilidade documentada.
É um compromisso formal com:
Segurança alimentar
Transparência
Sustentabilidade
Responsabilidade documentada
Num mercado saturado de exigências, a certificação continua a ser um dos poucos mecanismos objetivos de confiança.
Num mês em que celebramos os Direitos do Consumidor perguntamos se passa apenas por escolher? Acreditamos que seja mais “escolher com base em evidência”.
Porque confiar é instintivo. Mas confiar com critério é poder.
Somos todos consumidores. A pergunta que paira para nós, para si e para qualquer produtor ou profissional do setor não é o que compra.
É porque compra.

Liliana Perestrelo
Sócia-Gerente Naturalfa



